O ano era 1989, esse foi o ano que consolidou a transformação mais radical na experiência do público de rodeio no Brasil e fez as grandes capitais, como São Paulo e Rio de Janeiro se renderem ao Sertanejo.
Após nodernizarem as músicas, revolucionarem o visual dos artistas e expandirem a estrutura física dos palcos, o sertanejo precisava resolver um novo problema: a distância.Com arenas cada vez maiores e públicos que ultrapassavam dezenas de milhares de pessoas, quem estava no fundo já não conseguia enxergar os detalhes do espetáculo.
Foi em 1989, com o lançamento da histórica do Álbum e a turnê "Os Meninos do Brasil", que Chitãozinho & Xororó trouxeram a resposta definitiva, mudando para sempre a estética visual dos grandes shows no país.
A Inspiração Americana e o Sonho da Superprodução
Sempre antenados com o mercado internacional, Chitãozinho & Xororó idealizaram uma mudança inspirada diretamente nos megashows e eventos internacionais. A dupla queria que o público brasileiro experimentasse o mesmo impacto visual das grandes arenas americanas e shows como Pink Floyd.
Para transformar esse sonho em realidade, uniram forças com a renomada empresa Jotaeme, sob o comando de Milton Urcioli Jr. e Rita Urcioli, que assumiram o desafio de colocar essa tecnologia inédita na estrada.
Hoje, na era dos painéis de LED que se montam em minutos, é quase impossível imaginar a complexidade e o heroísmo logístico daquela operação no final dos anos 80.
A turnê percorreu cerca de 180 shows pelo Brasil com essa estrutura viajava a bordo de uma emblemática Chevrolet Veraneio Verde (o xodó do Geraldo). Na linha de frente dessa jornada, profissionais como Geraldo e Edu enfrentavam o asfalto e as arenas para erguer o amanhã do entretenimento nacional.
O Peso da Inovação: O Desafio Técnico dos Três Tubos
Diferente da praticidade digital contemporânea, a tecnologia de projeção de vídeo de 1989 exigia força física, precisão matemática e muita paciência. A operação era um verdadeiro teste de resistência para as equipes técnicas:
Monstros de 40 Quilos: Os projetores de alta tecnologia da época eram os icônicos Sony 3CCD 1042, caixas pesadíssimas que demandavam esforço bruto para serem içadas e posicionadas.Telas de Lona Especial: Grandes telas de projeção feitas de material emborrachado especial viajavam dobradas e precisavam ser esticadas perfeitamente para evitar rugas na imagem.
Monstros de 40 Quilos: Os projetores de alta tecnologia da época eram os icônicos Sony 3CCD 1042, caixas pesadíssimas que demandavam esforço bruto para serem içadas e posicionadas.Telas de Lona Especial: Grandes telas de projeção feitas de material emborrachado especial viajavam dobradas e precisavam ser esticadas perfeitamente para evitar rugas na imagem.
Câmeras de Ombro Robustas: A captação dependia de câmeras profissionais Ikegami, equipamentos que pesavam cerca de 12 kg e exigiam dos operadores uma resistência física hercúlea durante horas de gravação contínua no ombro, a transmissão das câmeras para a mesa de corte, haaaaa, nada de Wi-Fi ou outro sistema, era via cabo mesmo, e o desafio ao entardecer. As equipes chegavam cedo às arenas, montavam toda a estrutura de sustentação e precisavam aguardar obrigatoriamente o cair da noite. Sem a luz do sol, começava o minucioso trabalho de alinhamento dos 3 tubo. Era necessário convergir manualmente os três feixes de luz primários (Vermelho, Verde e Azul) até que formassem a cruz em uma única e nítida cruz branca na tela.
A Cereja do Bolo:
O Futuro Chega com o Lasershow
Se a imagem aproximava o fã, o espetáculo precisava de magia.
Se a imagem aproximava o fã, o espetáculo precisava de magia.
E ela veio logo em seguida, com a introdução dos efeitos revolucionários do lasershow. Munidos de uma visão vanguardista única, Chitãozinho & Xororó, logo apos o início da turnê, fecharam parceria com a lendária LaserMedia Brasil, capitaneada pelo Sr. Hélvio e pelo renomado Professor Saraiva.
Longe de ser apenas uma iluminação piscante, o show de laser foi planejado milimetricamente: detalhes exclusivos foram criados para as principais músicas do repertório.
O palco transformava-se em um portal tridimensional: raios verdes eram disparados em direção ao público, cruzando-se com globos espelhados, feixes paralelos e espelhos holográficos de última geração, um túnel atravessava a arena , da Hause Mix ao centro do palco. Tudo isso imerso em densas nuvens de muita fumaça, criando a ilusão de que a luz rasgava a própria matéria no ar.
A Logística Inimaginável: Força Bruta, Água e Eletricidade
Se hoje a computação gráfica resolve tudo com equipamentos compactos, em 1989 a realidade era o trabalho pesado de bastidores. O computador, sistema operacional de fazer inveja, MS DOS, localizacao exata das imagens na base do eixo x e y mesmo.
Para transportar essa tecnologia futurista, a equipe utilizava uma Kombi especialmente adaptada(motor ap 1.8 da saveiro). A carga total da estrutura de laser ultrapassava assustadores 500 kg (sem somar o peso dos cases de proteção).
O maior desafio diário recaía sobre os ombros de guerreiros da estrada como eu ( Ronny Mello e meu saudoso amigo Gerson).
A Logística Inimaginável: Força Bruta, Água e Eletricidade
Se hoje a computação gráfica resolve tudo com equipamentos compactos, em 1989 a realidade era o trabalho pesado de bastidores. O computador, sistema operacional de fazer inveja, MS DOS, localizacao exata das imagens na base do eixo x e y mesmo.
Para transportar essa tecnologia futurista, a equipe utilizava uma Kombi especialmente adaptada(motor ap 1.8 da saveiro). A carga total da estrutura de laser ultrapassava assustadores 500 kg (sem somar o peso dos cases de proteção).
O maior desafio diário recaía sobre os ombros de guerreiros da estrada como eu ( Ronny Mello e meu saudoso amigo Gerson).
O coração do sistema era uma imponente mesa de laser Coherent 900. Com 1,20 m de comprimento, essa peça única pesava 130 kg e precisava ser levantada manualmente a uma altura de 1,50 metro em todos os benditos shows da turnê.
Como os lasers de alta potência da época geravam um calor extremo, a estrutura do rodeio precisava fornecer algo impensável para a época: água corrente em abundância para resfriar continuamente o equipamento, além de uma rede estável de energia trifásica dedicada para aguentar a pesada amperagem.
O Impacto: A Democratização e o Deslumbre do Show.
Quando os refletores se apagavam, os telões ganhavam vida e os raios laser da LaserMedia cortavam o céu das arenas de rodeio, o impacto no público era avassalador.
Pela primeira vez na história do entretenimento brasileiro, o interior do país testemunhava uma tecnologia digna dos maiores palcos do rock mundial.
A ousadia de Chitãozinho & Xororó e o sacrifício técnico de suas equipes nos bastidores não criaram apenas um show inesquecível; eles pavimentaram, com suor, água corrente e força bruta, o padrão de megafestivais e superproduções que ditam as regras do showbusiness brasileiro até os dias de hoje.
A ousadia de Chitãozinho & Xororó e o sacrifício técnico de suas equipes nos bastidores não criaram apenas um show inesquecível; eles pavimentaram, com suor, água corrente e força bruta, o padrão de megafestivais e superproduções que ditam as regras do showbusiness brasileiro até os dias de hoje.
Sobre o autor: Ronald Braga Mello Filho (Ronny Mello) . Conta com uma sólida trajetória no mercado do entretenimento, atuou como técnico operador de Laser Show pela LaserMedia Brasil (1987-1993), onde realizou espetáculos visuais para grandes lendas da música, incluindo Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo e Edson & Hudson, entre outros. Posteriormente, trabalhou na área comercial da Ralf Produções para a icônica dupla Chrystian & Ralf (1994-1999) e consolidou sua carreira como empresário entre 2000 e 2013. Hoje, dedica-se à escrita criativa e crônicas diárias. Todos os direitos reservados.








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