Ronny Mello

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Curitiba, Paraná , Brazil
🎚️ Por Ronny Mello Operador de laser e iluminação com mais de 20 anos de estrada no show business brasileiro. Aqui, eu abro o meu bloco de notas para contar a história real, técnica e bem-humorada dos bastidores das grandes arenas nos anos 80 a 2013.O show antes do show.

Atrás dos Holofotes

 


O tempo passa, os cabelos clareiam e a memória pede para virar tinta. 

Atualmente tudo esta na Internet, essa geração se localiza , se conecta, se pôr vezes minha geração foi única que viveu os dois mundos (do analógico para o digital, das enciclopédias para a IA) resolvi então escrever. Nao por vaidade; mas por justiça.

Na engrenagem do show, o artista brilha no holofote, mas existe um exército de técnicos, operadores e empresários pioneiros que construíram essa indústria na raça. Infelizmente, eles estão sumindo na história como poeira ao vento.

Quem se lembra dos caras que fritaram os neurônios sob tempestades para erguer os primeiros lasers e telões? Quem registra os visionários que bancaram equipamentos importados sem saber se haveria retorno?

Escrevo para que nomes como Luiz Montoya Samperi (Broadway), Sílvio Luciano (L&L), Miltinho Urcioli (Jotaeme), Geraldo e Edu (vídeo), os Renatos, Circuit e Jesus (som), Marcos Mioto e Rubens de Oliveira (contratantes), além de tantos músicos, técnicos e empresários não virem fantasmas do passado.

Mas quem é da estrada sabe: alinhar um raio laser verde sob a pressão de 40 mil pessoas é uma coisa; fazer as palavras rimarem no celular, aos 65 anos, aposentado nao por vontade por recomendação médicas, é outra bem diferente.

Por isso, troquei as lembranças do MS-DOS e das Eprons pelo Android e com ajuda da IA. Eu entro com a matéria-prima bruta e o calor da arena; e lea limpa os ruídos e joga o holofote na verdade histórica.

Não busco glórias literárias. Sou técnico, vendedor, ex-empresário e um contador de causos. 

Minha missão é garantir que o mundo real daquela época permaneça vivo. 

Quem entra hoje em arenas modernas com painéis de LED e Wi-Fi acha que tudo nasceu pronto. 

Não, nao nasceu. 

Foi erguido com o suor de gigantes que as luzes esquecem quando se apagam.

A estrada mudou e as ferramentas são outras, mas o compromisso de não deixar essa história virar poeira continua mais forte do que nunca.



Sobre o autor: Ronald Braga Mello Filho (Ronny Mello) . Conta com uma sólida trajetória no mercado do entretenimento, atuou como técnico operador de Laser Show pela LaserMedia Brasil (1987-1993), onde realizou espetáculos visuais para grandes lendas da música, incluindo Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo e Edson & Hudson, entre outros. Posteriormente, trabalhou na área comercial da Ralf Produções para a icônica dupla Chrystian & Ralf (1994-1999) e consolidou sua carreira como empresário entre 2000 e 2013. Hoje, dedica-se à escrita criativa e crônicas diárias. Todos os direitos reservados.



Moving Lights, o impacto das marcas Martin e Vari-Lite no pioneirismo técnico das grandes turnês. 


    Revolução das Moving Lights nos Anos 90

Capítulo 4 por,  Ronald de Braga Mello Filho (Ronny Mello)

Se a década de 1980 preparou o terreno rasgando o céu das arenas com os feixes verdes e precisos dos lasers, o início dos anos 1990 chegou para chacoalhar as estruturas do entretenimento.

O showbusiness brasileiro viveu uma verdadeira explosão na iluminação cênica. Foi o momento exato em que os palcos ganharam vida própria, movimento e cérebro.

Estávamos entrando, na marra e com muita raça, na era das *Moving Lights*. Deixamos para trás a era estática dos pesados refletores convencionais.

O comando agora era digital. Passamos a operar consoles computadorizados e refletores robotizados que respondiam milimetricamente a comandos de movimento (pan e tilt), trocas instantâneas de cores e projeções de desenhos.

A Versatilidade que Mudou o Jogo

O Fim da Tirania das Lâmpadas PAR 64, antes do surgimento dessa  automação, a iluminação de um grande show dependia de estruturas  formadas por centenas de lâmpadas PAR 64 de 1.000 watts cada.

O sistema era ineficiente, fixo e gerava um calor insuportável no palco, as cores, selecionadas antecipadamente e colocadas por gelatina, nome dado a película inserida na frente das PAR 64.

Tudo começou a mudar globalmente por causa de uma ousadia no mundo do rock. Em 1981, a empresa Showco desenvolveu um protótipo de refletor que se movimentava sozinho e mudava de cor por microprocessadores. O grupo britânico Genesis ficou tão impressionado com a novidade que investiu no projeto. Nascia ali a lendária marca "Vari-Lite", e o primeiro modelo , o "VL1" que estreou  na turnê do álbum *Abacab* da banda.

Quando essa tecnologia desembarcou no Brasil, trouxe uma enorme vantagem operacional . Um único refletor robotizado conseguia fazer o papel de dezenas de lâmpadas PAR antigas.

O mesmo equipamento podia mudar de direção em frações de segundo, misturar milhares de cores, criar efeitos de estrobo e projetar imagens dinâmicas.

A consequência foi imediata: uma drástica e brutal redução na quantidade de lâmpadas PAR,  mas grande virada para criatividade artística veio con a introdução dos gobos. Essas pequenas peças metálicas (ou discos de vidro), recortadas com precisão cirúrgica e colocadas cuidadosamente dentro de projetores móveis, permitiam filtrar a luz e projetar texturas, formas geométricas e efeitos abstratos no chão, cenários e diretamente no peito do público.

Nós técnicos, passamos a desenhar cenários virtuais, talentos brilhantes  como o Chumbinho, iluminador oficial de Chitãozinho & Xororó que dominava essas novas ferramentas como ninguém, traduzindo cada batida de bateria em uma atmosfera visual inesquecível.

Nessa época os moving lights mais populares no Brasil eram os scanners, como os Intellabeam, Martins Roboscan ou os nacionais da própria Very Light,  usavam um espelho móvel e gastavam poucos canais DMX por aparelho (geralmente entre 4 a 8 canais para controlar Pan, Tilt, Cor, Gobo e Shutter).

As mesas eram Very Light que controlava até 40 canais DMX diretos, e a Avolites Pearl, um monstro em 90 pois conseguia endereçar e organizar os 512 canais  DMX.

No eixo São Paulo e Rio, o Legado de Manoel Poladian transformou São Paulo  no epicentro técnico. Historicamente, o lendário produtor  já havia desbravado as fronteiras anos antes, ao trazer ao país superestruturas tecnológicas internacionais para atender às exigências (os rigorosos riders técnicos) dos grandes astros mundiais através da Poladian Produções, responsável por turnês históricas.

Poladian foi o pioneiro em mostrar ao Brasil o peso da tecnologia cênica internacional e também em 86 a utilizar o laser show.

A grande novidade na década de 1990 foi a popularização dessa tecnologia para o artista da casa.

Foi ali que a gigante dinamarquesa "Martin Professional" fincou sua bandeira na capital paulista com os "Martin Roboscan" e seus potentes sistemas de raios coloridos.

Controlar essas feras nos sistemas Vari-Lite mudou a  rotina nos bastidores : o antigo operador de luz, que puxava alavancas analógicas, teve que se transformar, do dia para a noite, em um programador.

O Investimento de duplas como Chitãozinho & Xororó e Leandro & Leonardo em megaestruturas  forçou o mercado a se adaptar rapidamente. Em São Paulo, a "LPL Professional Lighting"  se consolidou como uma das maiores colocando lancando os nomes Cesio Lima e Luiz Auricchio como os maiores do criação dos light designs até hoje. 

Mas grande segredo dos bastidores daquela era foi o passo ousado dado pelos próprios artistas nacionais. Alem da LPL na iluminação e Gabi Son, eles entenderam que, para garantir a perfeição visual e a independência das limitações técnicas das locadoras regionais no interior do país, deveriam ter o próprio arsenal. O sertanejo assumia o papel de investidor tecnológico do país. De um lado, a  LL sob a gestão firme e visionária de seu emblemático ex-empresário, Sílvio Luciano Alves, em conjunto do outro lado o empresário José Homero Béttio faziam o mesmo movimento audacioso, nas turnês de Chitãozinho e Xororó. 

Assim foi montada uma verdadeira tropa de elite  para desbravar as estradas do Brasil. Era o time de caras como Marcos Amorim na programação de luz, Cebola, Chumbinho, operando as mesas com precisão cirúrgica, o incansável, Dentinho, garantindo o funcionamento e a montagem pesada das estruturas e dos grids, Ronny Mello e Mauricio Gonsalves no Laser e os diretores de palco criando e administrando um caos organizado.

As empresas investiram em  estruturas, carretas e toneladas de equipamentos de palco, som e luz. 

Foi essa engrenagem — movida pelo faro empresarial de pioneiros como Poladian e LPL, pela sensibilidade artística de mestres da luz e pelo suor dos técnicos que carregavam as carretas — que equiparou os rodeios brasileiros aos maiores festivais de rock do mundo. 

A música podia até ser sertaneja em sua essência, mas a engenharia tecnológica que a carregava nas costas já era de outro planeta. 



Sobre o autor: Ronald Braga Mello Filho (Ronny Mello) . Conta com uma sólida trajetória no mercado do entretenimento, atuou como técnico operador de Laser Show pela LaserMedia Brasil (1987-1993), onde realizou espetáculos visuais para grandes lendas da música, incluindo Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo e Edson & Hudson, entre outros. Posteriormente, trabalhou na área comercial da Ralf Produções para a icônica dupla Chrystian & Ralf (1994-1999) e consolidou sua carreira como empresário entre 2000 e 2013. Hoje, dedica-se à escrita criativa e crônicas diárias. Todos os direitos reservados.


"CRONICA" - Naquela noite de março de 1989, eu quebrei a cara da forma mais bonita possível. Fui batizado na poeira e no brilho da arena.


 Corria o ano de 1989. O Brasil fervilhava com o rock nacional, as rádios de São Paulo só davam RPM, Paralamas e Titãs, e eu, orgulhosamente encastelado no meu circuito da alta sociedade paulistana, achava que o mundo começava e terminava na MPB, Fabio Junior e nos lançamentos da Autolatina. Na LaserMedia, nossa praia era outra: alinhar tubos de gás Coherent para impressionar executivos no lançamento do Ford Verona e do VW Apollo no Clube Sírio-Libanês, ou celebrar os 100 anos da Scania em São Bernardo do Campo. O interior do Brasil? O sertanejo? Para a juventude da capital, aquilo era um universo paralelo que simplesmente não existia. Não estava em nossas mãos, não estava na nossa playlist.

Até que veio aquele fatídico dia de março.
O Professor Saraiva,  sócio na LM, me chamou com aquele tom de quem tinha fechado o negócio do século: "Ronny, fechamos a nova turnê do Chitãozinho & Xororó. Neste sábado, você vai fazer o primeiro show com o laser para eles conhecerem a parafernalha".
Eu olhei para ele, mandei um "Beleza, chefe", mas por dentro o meu cérebro de vinte e poucos anos processava um eco de pura ignorância: "Quem diabos são Chitãozinho e Xororó?". Os jovens de hoje, criados à base de algoritmo e Wi-Fi e praticamente todas as informações na plalma da mao, não fazem ideia do que era viver isolado em bolhas culturais. Se não tocava na rádio rock da capital e não aparecia na TV de domingo, para nós, era invisível, nao existia.
No sábado de manhã, lá fomos nós. Carregamos a nossa amada, guerreira e barulhenta Kombi 1.8 com os tubos de laser sensíveis, os espelhos e o computadores jurássicos rodando DOS. Rodamos cerca de 110 quilômetros para o interior. Quando a Kombi finalmente estacionou, o meu queixo caiu: aportamos no meio de um estádio de futebol profissional imenso, totalmente fechado, com arquibancadas imponentes de todos os lados e um palco monumental erguido em uma das cabeceiras.
Passamos umas duas horas montando o equipamento sob o sol escaldante. Como o laser dependia da escuridão e do alinhamento a olho nu, sentamos na beira do palco para esperar o sol se pôr e prosear. Olhei bem sério para o Gerson, meu parceiro de estrada, e disparei do alto da minha soberba urbana: "Cara... que loucura. Esse lugar é grande demais. Isso aqui vai ficar completamente vazio. Se fosse um show do RPM, tudo bem, lotava. Mas para essa dupla? Vai dar ninguém". Gerson concordou, e continuamos ali, isolados no nosso mundinho técnico, trancados dentro das quatro paredes daquele estádio. Hoje eu rio sozinho lembrando disso, porque enquanto a gente filosofava na House Mix, lá fora o asfalto já estava derretendo com o peso de pelo menos 10 mil pessoas impacientes.
A noite caiu, afinamos o raio verde, testamos a potência e tudo ficou pronto. Eu só esperava ver aparecerem uns gatos pingados para eu disparar os efeitos no DOS, recolher os cabos e voltar para São Paulo.
Aí abriram os portões.
O que aconteceu em seguida parecia um filme de ficção científica. O público começou a entrar. Primeiro em fluxo constante, depois virou uma enxurrada. Não parava de chegar gente de todos os lados. E não eram "gatos pingados": eram milhares de pessoas felizes, empolgadas, vestidas para o espetáculo. Em menos de trinta minutos, o gramado virou um formigueiro humano tão absurdo que bateu o desespero técnico. Tivemos que cercar às pressas a nossa área e subir correndo no andaime, porque o povo simplesmente engoliu o espaço ao redor do laser.
Quando as luzes se apagaram e a dupla pisou no palco, o estádio inteiro veio abaixo. A massa cantava cada verso, cada introdução, com uma energia que eu nunca tinha visto nem nos maiores shows de rock da capital. 
Do alto do meu andaime, vendo o céu do interior ser cortado pelo nosso laser verde enquanto milhares de vozes ecoavam no peito, engoli cada palavra preconceituosa que tinha dito à tarde.
O arrependimento da minha ignorância virou um respeito profundo.
Ali, naquela noite de março de 1989, eu quebrei a cara da forma mais bonita possível. Fui batizado na poeira e no brilho da arena. Entrei para o mundo sertanejo pela porta da frente e, de lá, não saí pelos próximos 20 anos.





Sobre o autor: Ronald Braga Mello Filho (Ronny Mello) . Conta com uma sólida trajetória no mercado do entretenimento, atuou como técnico operador de Laser Show pela LaserMedia Brasil (1987-1993), onde realizou espetáculos visuais para grandes lendas da música, incluindo Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo e Edson & Hudson, entre outros. Posteriormente, trabalhou na área comercial da Ralf Produções para a icônica dupla Chrystian & Ralf (1994-1999) e consolidou sua carreira como empresário entre 2000 e 2013. Hoje, dedica-se à escrita criativa e crônicas diárias. Todos os direitos reservados.

Quando as luzes se apagavam, os telões ganhavam vida e o laser  varria o céu das arenas de rodeio.


O ano era 1989, esse foi o ano que consolidou a transformação mais radical na experiência do público de rodeio no Brasil e fez  as grandes capitais, como São Paulo  e  Rio de Janeiro se renderem ao Sertanejo.

Após nodernizarem as músicas, revolucionarem o visual dos artistas e expandirem a estrutura física dos palcos, o sertanejo precisava resolver um novo problema: a distância.
Com arenas cada vez maiores e públicos que ultrapassavam dezenas de milhares de pessoas, quem estava no fundo já não conseguia enxergar os detalhes do espetáculo.
Foi em 1989, com o lançamento da histórica do Álbum e a turnê "Os Meninos do Brasil", que Chitãozinho & Xororó trouxeram a resposta definitiva, mudando para sempre a estética visual dos grandes shows no país.
A Inspiração Americana e o Sonho da Superprodução
Sempre antenados com o mercado internacional, Chitãozinho & Xororó idealizaram uma mudança inspirada diretamente nos megashows e eventos internacionais. A dupla queria que o público brasileiro experimentasse o mesmo impacto visual das grandes arenas americanas e shows como Pink Floyd.




Para transformar esse sonho em realidade, uniram forças com a renomada empresa Jotaeme, sob o comando de Milton Urcioli Jr. e Rita Urcioli, que assumiram o desafio de colocar essa tecnologia inédita na estrada.
Hoje, na era dos painéis de LED que se montam em minutos, é quase impossível imaginar a complexidade e o heroísmo logístico daquela operação no final dos anos 80.
A turnê percorreu cerca de 180 shows pelo Brasil com essa estrutura  viajava a bordo de uma emblemática Chevrolet Veraneio Verde (o xodó do Geraldo). Na linha de frente dessa jornada, profissionais como Geraldo e Edu enfrentavam o asfalto e as arenas para erguer o amanhã do entretenimento nacional.

O Peso da Inovação: O Desafio Técnico dos Três Tubos



Diferente da praticidade digital contemporânea, a tecnologia de projeção de vídeo de 1989 exigia força física, precisão matemática e muita paciência. A operação era um verdadeiro teste de resistência para as equipes técnicas:
Monstros de 40 Quilos: Os projetores de alta tecnologia da época eram os icônicos Sony 3CCD 1042, caixas pesadíssimas que demandavam esforço bruto para serem içadas e posicionadas.Telas de Lona Especial: Grandes telas de projeção feitas de material emborrachado especial viajavam dobradas e precisavam ser esticadas perfeitamente para evitar rugas na imagem.



Câmeras de Ombro Robustas: A captação dependia de câmeras profissionais Ikegami, equipamentos que pesavam cerca de 12 kg e exigiam dos operadores uma resistência física hercúlea durante horas de gravação contínua no ombro, a transmissão das câmeras para a mesa de corte, haaaaa, nada de Wi-Fi ou outro sistema, era via cabo mesmo, e o desafio ao  entardecer. As equipes chegavam cedo às arenas, montavam toda a estrutura de sustentação e precisavam aguardar obrigatoriamente o cair da noite. Sem a luz do sol, começava o minucioso trabalho de alinhamento dos 3 tubo. Era necessário convergir manualmente os três feixes de luz primários (Vermelho, Verde e Azul) até que formassem a cruz em uma única e nítida cruz branca na tela.

A Cereja do Bolo: 
O Futuro Chega com o Lasershow
Se a imagem aproximava o fã, o espetáculo precisava de magia.
 E ela veio logo em seguida, com a introdução dos efeitos revolucionários do lasershow. Munidos de uma visão vanguardista única, Chitãozinho & Xororó, logo apos o início da turnê,  fecharam parceria com a lendária LaserMedia Brasil, capitaneada pelo Sr. Hélvio e pelo renomado Professor Saraiva.



Longe de ser apenas uma iluminação piscante, o show de laser foi planejado milimetricamente: detalhes exclusivos foram criados para as principais músicas do repertório. 
O palco transformava-se em um portal tridimensional: raios verdes eram disparados em direção ao público, cruzando-se com globos espelhados, feixes paralelos e espelhos holográficos de última geração, um túnel atravessava a arena , da Hause Mix ao centro do palco. Tudo isso imerso em densas nuvens de muita fumaça, criando a ilusão de que a luz rasgava a própria matéria no ar.
A Logística Inimaginável: Força Bruta, Água e Eletricidade
Se hoje a computação gráfica resolve tudo com equipamentos compactos, em 1989 a realidade era o trabalho pesado de bastidores. O computador, sistema operacional de fazer inveja, MS DOS, localizacao exata das imagens na base do eixo x e y mesmo.
Para transportar essa tecnologia futurista, a equipe utilizava uma Kombi especialmente adaptada(motor ap 1.8 da saveiro). A carga total da estrutura de laser ultrapassava assustadores 500 kg (sem somar o peso dos cases de proteção).
O maior desafio diário recaía sobre os ombros de guerreiros da estrada como eu ( Ronny Mello e meu saudoso amigo Gerson). 
O coração do sistema era uma imponente mesa de laser Coherent 900. Com 1,20 m de comprimento, essa peça única pesava 130 kg e precisava ser levantada manualmente a uma altura de 1,50 metro em todos os benditos shows da turnê.



Como os lasers de alta potência da época geravam um calor extremo, a estrutura do rodeio precisava fornecer algo impensável para a época: água corrente em abundância para resfriar continuamente o equipamento, além de uma rede estável de energia trifásica dedicada para aguentar a pesada amperagem.

O Impacto: A Democratização e o Deslumbre do Show.



Quando os refletores se apagavam, os telões ganhavam vida e os raios laser da LaserMedia cortavam o céu das arenas de rodeio, o impacto no público era avassalador.
 Pela primeira vez na história do entretenimento brasileiro, o interior do país testemunhava uma tecnologia digna dos maiores palcos do rock mundial.
A ousadia de Chitãozinho & Xororó e o sacrifício técnico de suas equipes nos bastidores não criaram apenas um show inesquecível; eles pavimentaram, com suor, água corrente e força bruta, o padrão de megafestivais e superproduções que ditam as regras do showbusiness brasileiro até os dias de hoje.





Sobre o autor: Ronald Braga Mello Filho (Ronny Mello) . Conta com uma sólida trajetória no mercado do entretenimento, atuou como técnico operador de Laser Show pela LaserMedia Brasil (1987-1993), onde realizou espetáculos visuais para grandes lendas da música, incluindo Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo e Edson & Hudson, entre outros. Posteriormente, trabalhou na área comercial da Ralf Produções para a icônica dupla Chrystian & Ralf (1994-1999) e consolidou sua carreira como empresário entre 2000 e 2013. Hoje, dedica-se à escrita criativa e crônicas diárias. Todos os direitos reservados.


A Revolução Estética e Cenográfica do Sertanejo Pop Country (1980–1990)

 O visual "pop country" adotado pelos sertanejos românticos entre as décadas de 1980 e 1990 misturou a tradição da moda country americana (botas texanas, chapéus e fivelas) com o glamour urbano e o pop rock. Esse movimento marcou a transição definitiva da antiga música caipira para a estética do "cowboy do asfalto".

Essa revolução aconteceu em ondas cronológicas perfeitamente desenhadas, transformando não apenas os artistas, mas toda a estrutura dos espetáculos no Brasil.

Chitãozinho & Xororó foram os verdadeiros pioneiros dessa transformação. Eles iniciaram sozinhos o movimento que uniu a estética pop, o country americano e o sertanejo romântico. 

Nos anos 80, a dupla começou a romper com o visual tradicional do sertanejo raiz (que usava camisas de botão simples e roupas ligadas ao homem do campo clássico).  Ditaram tendências seguidas por todas as outras duplas da década de 1990.

O pioneirismo deles se consolidou através de marcas registradas inconfundíveis, o corte com a franja curta e os fios longos na nuca tornou-se o maior símbolo visual do sertanejo daquela era.

Introduziram jaquetas de couro com franjas longas, camisas com bordados brilhantes e ombreiras, trazendo o glamour dos palcos de Las Vegas para o Brasil. 

Chitãozinho & Xororó 1989

Logo na sequência, Chrystian & Ralf esses trouxeram uma identidade muito mais pesada, influenciada pelo rock internacional e pelo country norte-americano.

A dupla apostava em uma postura rebelde nos palcos. Ralf marcou época ao quebrar os padrões tradicionais, apresentando-se frequentemente com camisas regatas cavadas por baixo de blazers estruturados, combinando perfeitamente o despojado com o moderno.

Chrystian e Ralf 1988

No final da década, Leandro & Leonardo  trouxeram uma estética que conversava diretamente com o jovem urbano das capitais.

Suavizando os excessos de franjas, camisas, combinavam calças jeans com camisas de corte clássico e cintos de fivelas Country, criando um estilo "arrumado" e altamente comercial.

Leandro e Leonardo 1987

A Nova Roupagem nos Palcos: Cenários com Mobilidade de Popstars

A transformação do sertanejo romântico nos anos 80 e 90 não aconteceu apenas nas roupas dos artistas. O espaço onde eles se apresentavam passou por uma revolução tecnológica e estrutural, moldando uma nova experiência de entretenimento para as multidões que lotavam as arenas de rodeio e os ginásios pelo Brasil.


Palco final década 70

Os cenários passaram por uma metamorfose drástica para acompanhar a grandiosidade da vertente "pop country".
Toda essa evolução cenográfica exigia um elemento tecnológico crucial que as antigas estruturas não permitiam. O tamanho dos palcos dobraram para comportar a banda, que ja nao era mais tao pequena, agora continha, percussão,  metais, teclados,  novos retornos, e mesas de son e luz cada vez maiores. A produção dobrou de tamanho e as extruturas tiveram que acompanhar.

Palco 1989

A introdução dos primeiros microfones sem fio no Brasil foi o verdadeiro divisor de águas para as apresentações ao vivo:

A nova tecnologia libertou os artistas do cabo de áudio e do pedestal tradicional os cantores passaram andar pelas passarelas, interagindo com público,  cenário e banda, alguns adotaram bailarinos(as).

No proximo capítulo,  a introdução do Laser e telões a partir de 1988, nao percam.



Sobre o autor: Ronald Braga Mello Filho (Ronny Mello) . Conta com uma sólida trajetória no mercado do entretenimento, atuou como técnico operador de Laser Show pela LaserMedia Brasil (1987-1993), onde realizou espetáculos visuais para grandes lendas da música, incluindo Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo e Edson & Hudson, entre outros. Posteriormente, trabalhou na área comercial da Ralf Produções para a icônica dupla Chrystian & Ralf (1994-1999) e consolidou sua carreira como empresário entre 2000 e 2013. Hoje, dedica-se à escrita criativa e crônicas diárias. Todos os direitos reservados.

A Grande Virada:

 Como a Música Caipira se Transformou no Sertanejo das Grandes Arenas

Muitos assistem hoje aos megashows sertanejos, repletos de painéis de LED, palcos gigantescos e tecnologia de ponta, e imaginam que tudo isso surgiu do dia para a noite. Mas a transição da música caipira tradicional para o sertanejo moderno foi uma construção sólida, feita passo a passo, bem antes da explosão dos anos 90.

 A Invasão das Guitarras e o "Faroeste Caboclo"

A raiz dessa transformação começou a brotar na década de 1970. Os pioneiros absolutos dessa quebra de paradigma foram Léo Canhoto & Robertinho. Com o lançamento da icônica faixa "Apartamento 37", eles introduziram guitarras distorcidas, bateria pesada e teclados na música caipira.

"A revolução sonora de 1975: a capa do LP de Léo Canhoto & Robertinho introduzindo guitarras e bateria pesada na música caipira."

Criaram o subgênero que ficou conhecido como "faroeste caboclo", trazendo uma forte e ousada pegada de rock para o ambiente rural.

Na mesma época, o Trio Parada Dura, embora mantivesse o foco no popular e no tradicional "modão" que o povo tanto amava, começou a encorpar suas músicas de estúdio e apresentações com guitarras de acompanhamento e um contrabaixo elétrico muito .

"Modernização do modão: Trio Parada Dura incorporando contrabaixo elétrico e guitarras de acompanhamento em suas apresentações nos anos 1970."

O Romantismo e o Fenômeno de Massas

O final da década de 70 e o início dos anos 80 trouxeram a consolidação definitiva do sertanejo romântico.

Chitãozinho & Xororó foram os grandes maestros dessa fase, misturando o country-rock norte-americano ao pop romântico. Entre 1981 e 1982, com a regravação de "Amante Amada" e o lançamento avassalador de "Fio de Cabelo", a dupla adicionou novos instrumentos e equipamentos modernos nas gravações.

O resultado prático? O álbum ultrapassou a marca histórica de 1,5 milhão de cópias vendidas, tornando o gênero incrivelmente popular nas rádios de todo o país.

"O divisor de águas de 1982: Álbum 'Somos Apaixonados' de Chitãozinho & Xororó, consolidando o sertanejo romântico nas rádios brasileiras.

A Profissionalização dos Palcos

Com o mercado fonográfico aquecido, o nível de exigência dos shows subiu. Entre 1983 e 1987, o surgimento de Chrystian & Ralf trouxe uma bagagem técnica e internacional inédita para o circuito.

As turnês começaram a se profissionalizar de verdade. Foi nessa janela de tempo que os palcos ganharam estruturas em níveis diferentes, sistemas de som e luz apropriados para grandes multidões e o uso inovador de microfones sem fio. As grandes arenas e rodeios do Brasil precisaram se modernizar para receber esses novos espetáculos.

Toda essa evolução musical e estrutural dos anos 70 e 80 preparou o cenário para o que viria a seguir.

O público já aceitava as guitarras, o som já era potente e os palcos já eram grandes. Faltava apenas um ingrediente: a revolução visual.

No próximo artigo: Em 1988, eu entrei pessoalmente nesse universo dos bastidores. No próximo texto, vou contar como a chegada do Laser Show através da LaserMedia mudou para sempre a experiência visual dos palcos brasileiros nas lentes de Chitãozinho & Xororó." Não perca" 



Sobre o autor: Ronald Braga Mello Filho (Ronny Mello) . Conta com uma sólida trajetória no mercado do entretenimento, atuou como técnico operador de Laser Show pela LaserMedia Brasil (1987-1993), onde realizou espetáculos visuais para grandes lendas da música, incluindo Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo e Edson & Hudson, entre outros. Posteriormente, trabalhou na área comercial da Ralf Produções para a icônica dupla Chrystian & Ralf (1994-1999) e consolidou sua carreira como empresário entre 2000 e 2013. Hoje, dedica-se à escrita criativa e crônicas diárias. Todos os direitos reservados.



Sobre

 Por trás de cada grande espetáculo e de artistas que marcam gerações, existe uma engrenagem invisível. Uma equipe gigante de profissionais dedicados que, com o passar do tempo, muitas vezes some da memória do público. Minha missão aqui é resgatar essa história e dar voz a quem fez o show acontecer.

Minha trajetória no entretenimento e no show business começou em 1988, na então LaserMedia. Graças à visão vanguardista da dupla Chitãozinho & Xororó e de seu renomado empresário José Homero Béttio — pioneiros absolutos na modernização e inserção de tecnologia nos palcos brasileiros —, prestei serviços de laser show para as duas maiores e mais inovadoras turnês da época: 'Meninos do Brasil' e 'Cowboy do Asfalto', somando um total de 180 shows marcantes.
Bastidores e tecnologia: registro da transmissão da BTV durante a histórica temporada de Chitãozinho & Xororó no lendário Canecão, no Rio de Janeiro.

Nessa mesma era de ouro, levei a tecnologia do laser show para apresentações de outros grandes nomes da nossa música, incluindo Zezé Di Camargo & Luciano, em espetáculos memoráveis nos tradicionais palcos do Palace e do Olímpia, em São Paulo, além de produções mais reservadas para a dupla Leandro & Leonardo.
O impacto do Laser Show nos palcos brasileiros na década de 1990: transformando grandes produções sertanejas em espetáculos visuais inéditos

Em 1994, iniciei uma nova e importante fase na minha carreira ao integrar os bastidores de Chrystian & Ralf. Inicialmente atuei como secretário do Ralf e, posteriormente, com a saída da dupla da Univershow e a consolidação da Ralf Produções, assumi o gerenciamento da área comercial, sendo o responsável direto pela venda dos shows da dupla até 1999.
A realidade dos bastidores além dos palcos: Ronny Mello acompanhando a dupla Chrystian & Ralf durante o doloroso momento de luto nacional no velório de Leandro, em 1998.

Após fechar esse ciclo com Chrystian & Ralf, dei o passo mais ousado da minha carreira: abri minha própria empresa de laser show e efeitos especiais ao lado da minha esposa, a RLaser Locação de Equipamentos. Com a RLaser, passamos a atender o mercado de forma independente. Realizamos trabalhos esporádicos para a dupla Edson & Hudson (na época gerenciada pelo empresário Luiz Montoya) e fincamos nossa marca na noite brasileira com apresentações inesquecíveis, de forma quase quinzenal na lendária Mithos em Santos, na badalada Ibiza em Balneário Camboriú (SC), além de diversas casas noturnas de referência em Belo Horizonte (BH).
Efeitos visuais marcantes na noite paulista: a assinatura da RLaser Locação de Equipamentos na pista da lendária casa noturna Mithos, em Santos.



Sobre o autor: Ronald Braga Mello Filho (Ronny Mello) . Conta com uma sólida trajetória no mercado do entretenimento, atuou como técnico operador de Laser Show pela LaserMedia Brasil (1987-1993), onde realizou espetáculos visuais para grandes lendas da música, incluindo Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo e Edson & Hudson, entre outros. Posteriormente, trabalhou na área comercial da Ralf Produções para a icônica dupla Chrystian & Ralf (1994-1999) e consolidou sua carreira como empresário entre 2000 e 2013. Hoje, dedica-se à escrita criativa e crônicas diárias. Todos os direitos reservados.